segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Quem não tem colírio...

Beleza é um assunto que me perturba. Ou melhor, a falta dela é que me perturba. Em "A Vida Sexual da Mulher Feia", a Claudinha Tajes diz que uma mulher só se percebe feia depois da primeira rejeição. A minha foi com quatorze anos, quando me apaixonei por um colega do novo colégio (eu e metade do novo colégio, só porque a outra metade eram homens heteros).
Eu era acostumada ao sucesso no amor, já que acabava de sair de um profundo romance de um beijo com o rei da escola anterior, e com apenas 13 anos já tinha arrancado lágrimas do gostosão da praia. Então, achei que com o R* seria barbada. Não foi. Depois que ele soube da minha paixão, passou por mim no corredor e disse para um amigo: "bah, meu, só me aparece dragão". Nossa, saí correndo para o banheiro, me olhei no espelho, e acreditei nele!!!!
Desde então, durante seis anos, eu assumi o rótulo feia-inteligente. E as pessoas, principalmente os guris, acreditaram em mim! Anos depois, o R* me jurou que aquela frase não tinha sido pra mim (até porque nós ficamos várias vezes depois), mas já era tarde demais, a carapuça estava colada na minha cabeça: FEIA-INTELIGENTE. Tipo aqueles chapéus de burro do Tom & Jerry.
Quando entrei na faculdade e no mercado publicitário, conheci muita gente interessante, culta e sabida, e percebi que eu não era tão inteligente assim...
Quando conheci meu primeiro namorado, percebi que eu também não era tão feia assim...
E foi aí que eu passei a viver sem saber muito qual é o meu rótulo, oscilando entre dias de Gisele Bundchen x dias de Bruxa do 71, entre dias de Einstein x dias de Mary Alexandre. Deve haver por aí algum título do tipo "tailor-made", de acordo com quem vê, ou então do tipo "day-by-day", depende do humor do dia. Enfim, como eu detesto rótulos, prefiro pensar que me encaixo na categoria "não encaixável em categoria alguma", e seja o que Deus (e as pessoas que convivem comigo) quiser!
Mesmo assim, apesar de toda essa convicção, beleza ainda é, definitivamente, um assunto capaz de me tirar o sono. Resquícios da adolescência traumática. Que comum.

* Substituí "Rafael" por "R" para preservar a identidade do rapaz (que também é com R. Dã)

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