quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A Organização do Caos

Terça-feira eu fui ver Big in Bombay, um espetáculo de uma companhia dirigida pela Constanza Makras, argentina que vive na Alemanha desde 1995. O objetivo, pelo que estava escrito no programa, era mostrar o que as pessoas de diferentes culturas fazem pelo sucesso e pela fama, e como isso se reflete nas outras culturas.
Pra mim, era o retrato fiel do caos organizado. Bailarinos correndo, falando, gritando, dançando, transando até! Tudo isso que acontece no dia da gente, só que ao mesmo tempo. Difícil de se prender em um ponto só, difícil prestar atenção em tudo, fácil de entender. Segundo a lei da gestalt (nossa, nem sei se me lembro, faz tanto tempo que estudei isso), a gente vê o todo, e não os detalhes da imagem. Pois eu me prendi em um personagem específico: um maluco que gritava com todo mundo, jogava coisas, girava girava girava. Não sei por que aquele foi o que mais me tocou, embora fosse o menos profundo, o menos atlético, o menos performático, talvez até o menos técnico. Ele era tão solitário e tão cheio de gente em volta... todos eram diferentes entre si, mas tinham pelo menos algo em comum: cada um preocupado com suas próprias dores. E o meu personagem, preocupado em deixar saírem as suas próprias insanidades.
Talvez eu tenha me identificado com essa vontade reprimida de gritar, de correr, de sair daqui de dentro. Aqui dentro tem muito pouco espaço, eu quero mais, quero o vento, quero a palpitação, quero a correria e a calma ao mesmo tempo. Quero alguém que me acompanhe, mas também que me deixe ir sozinha.
No final do espetáculo, todos juntos o expulsaram do palco. E ele foi.

Um comentário:

Psiconauta João disse...

conheci uns dois ou três assim ao longo da minha existência.
ainda bem...assim mantem-se as esperanças.