quarta-feira, 2 de junho de 2010

Minha Casa

Zeca Baleiro


É mais fácil

Cultuar os mortos

Que os vivos

Mais fácil viver

De sombras que de sóis

É mais fácil

Mimeografar o passado

Que imprimir o futuro...


Não quero ser triste

Como o poeta que envelhece

Lendo Maiakóvski

Na loja de conveniência

Não quero ser alegre

Como o cão que sai a passear

Com o seu dono alegre

Sob o sol de domingo...


Nem quero ser estanque

Como quem constrói estradas

E não anda

Quero no escuro

Como um cego tatear

Estrelas distraídas

Quero no escuro

Como um cego tatear

Estrelas distraídas...


Amoras silvestres

No passeio público

Amores secretos

Debaixo dos guarda-chuvas

Tempestades que não param

Pára-raios quem não tem

Mesmo que não venha o trem

Não posso parar...


Veja o mundo passar

Como passa

Uma escola de samba

Que atravessa

Pergunto onde estão

Teus tamborins?

Pergunto onde estão

Teus tamborins?

Sentado na porta

De minha casa

A mesma e única casa

A casa onde eu sempre morei...

terça-feira, 1 de junho de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Every little thing she does is magic

Minhã mãe sempre diz que eu preciso aprender a dizer não para os outros e principalmente para mim. De fato, não sei me negar nada, sou uma mulher de excessos. Excesso de trabalho, de dança, de comida, de bebida, de festa, de gente, de amor. Quero muito tudo agora já. Não aprendi a ser comedida e espero o mesmo de quem me quer. Como já disse por aqui outras vezes, quero ser indescritível, inestimável, inevitável. Não me basta ser "ok".
Quero ser irresistível, quero entrega, quero rompantes, visitas repentinas, flores sem data, quero ser tema de música.
E não se trata de soberba ou arrogância, tampouco falta de noção. A questão é que eu quero espetáculo. Sou pisciana com ascendente em peixes, pô! Tudo que espero da vida é um pouco de magia.
Se não tiver tudo isso, vou me sumindo, me escapando, e aí já me basta uma boa música e o sol na minha sacada pra me alegrar.

Contribuição do Diego para esse mesmo tema, uma música dos Engenheiros:

"A medida de amar é amar sem medida
Velocidade máxima permitida
A medida de amar é amar sem medida"

terça-feira, 30 de março de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

Procura-se

O texto abaixo foi escrito pelo Jayme Camargo da Silva e foi descoberto por uma grande amiga que me encaminhou. Achei que seria bonito da minha parte compartilhar...
Blog dele: http://deliriosnaprovincia.blogspot.com/

"Procura-se um amor que procura um amor...

Procura-se um amor que em primeira mão divida o cotidiano. Que se divida no cotidiano. Que Se reparta. Que Se entregue. Que não parta frente à natural dificuldade das diferenças. Que entregue sua natureza. Procura-se um amor que finalmente nos escute. Que nos sinta. Que pressinta o momento de ser forte. Que saiba antes da dor preparar o terreno, e após ela tenha a sensibilidade do colo. Que tenha a delicadeza no cafuné ao dormir. Que tenha romantismo na pegada. Que não tenha receio em se apegar. Procura-se um amor que abra os sentimentos. Que se abra ao viver cada momento. Que tenha o prazer em conosco perder seu tempo. Que tenha coragem em repartir seus tormentos. Que tenha conosco o fim da angustia. Que nos tenha como um novo começo. Que nos seja o princípio do belo. Que nos faça um bolo no dia de chuva. Que reparta a pipoca no cinema. Que nos dê a mão no beijo do filme. Procura-se um amor que nos divirta. Procura-se um amor Que se possa conversar. Que nos recolha conchinhas no mar. Que também acredite que o “amor aumenta com o ar”. Procura-se um amor que tenha similitude no impacto das almas. Que tenha personalidade na discrição. Que tenha reciprocidade na saudade. Que nos mande mensagem no meio da noite. Que nos procure primeiro ao receber uma novidade. Procura-se um amor que nos leve para dançar. Que dance conosco a vida. Que junto a gente construa a história de nossas vidas. Que na distância fabrique a vinda de uma memória. Que a nostalgia se dê como esperança. Procura-se um amor que “no choque entre o azul e o cacho de acácias” deixe tudo “lindo”! Que faça Caetano re-fazer seu poema. Que fizesse “Chico” lamentar não ter conhecido. Procura-se um amor que não tenha medo. Que se jogue. Que se declare. Que a única forma de jogo seja jogar junto com a gente. Procura-se um amor que não só nos faça bem, mas que nos torne melhor. Que melhor seja impossível. Que nos transforme como disse “Drexler”. Que nos re-funde a partir do sentimento. Que se funda com a nossa vida. Que compartilhe seus movimentos. Procura-se um amor que preze nossa liberdade. Que acredite no valor do respeito. Que se encante pelo nosso jeito. Que tenha jogo-de-cintura na adversidade. Que tenha tranqüilidade para fornecer sossego. Procura-se um amor que nos surpreenda. Que não feche os olhos antes que adormeçamos. Que não se arrependa em viver a vida. Que quando não estivermos esperando – chegue. Que nos carregue em direção às nuvens. Que nos traga a consistência na leveza. Procura-se um amor que finalmente seja um delicioso “pequeno lugar”. E que lá “Cartola” seja trilha sonora. Procura-se um amor que seja equilibrado sem ser chato. Que seja louco sem nos colocar em risco. Que seja “meio bossa nova e rock´n roll”. Procura-se um amor que antes seja bela que bonita. Que seja interessante. Procura-se um amor que na base há lealdade. Que tenha alteridade em seus valores. Que seja responsável com aquele que cativamos. Procura-se um amor que se acredite. Que credite suas fichas em nosso centro. Procura-se um amor que seja por dentro, mas Que não tenha medo em botar para fora. Que dirija nossa vida quando estivermos bêbados. Que nos cuide quando convalescemos. Procura-se um amor que combine com a nossa casa. Que o astral seja harmonia. Que as noites de inverno sejam acolhimento. Procura-se um amor que seja sagaz na melodia. Que no fim da tarde nos procure para saber de nosso dia. Procura-se um amor que também esteja nos procurando. Que esteja vivendo no mesmo “tempo”. Que não seja mais um futuro-do-pretérito. Que traga consigo o “tempo do amor”. Procura-se um amor que nos faça perder a noção do tempo. Que nos descontrole pelo envolvimento. Procura-se um amor que... Procura-se um amor... Procura-se um... Procura-se... Procura... Pró-cura... Quiçá o amor exista na “cura” do mundo."

E ouso completar o texto do Jayme: Procura-se um amor que é, e não "poderia ter sido".

quarta-feira, 17 de março de 2010

ONCE: MINDS MADE UP

Mais um

ONCE: Falling Slowly

Um dos melhores filmes que já vi